11.6.08

Ser Feliz!

=:=

Na TV não tinha nada, resolvo então ir para o quarto ler alguma coisa. Estou lendo "O caçador de pipas", mas desta vez resolvi reler umas páginas de um velho caderno meu de '95. Aos 21 anos, viver amores diferentes, umas vezes pouco adolescentes e outras tão inocentes.

"aos poucos a brasa
um olhar discreto
seu sorriso vago a me revelar
teus mistérios..."
E penso em mim 13 anos atrás... uma menina descobrindo seu lado mulher, sua feminilidade, sua sensualidade e sexualidade. Descobrindo o poder de decidir, de querer, de ousar, de arriscar.

"... meio de mansinho
a luz entre-aberta
a porta apagada
só nós dois
acesos."


E sem perceber já sabia que janelas seriam abertas, que um mundo novo se presentaria aos meus olhos, brincando com meu coração. Sem enganos e tanto de sexto sentido, dentro de mim algo dizia que asas eu criaria e que poderia voar!

"Não te preocupes para onde teus pés te levarão...
Ocupe-se apenas em viver cada momento que lhe é dado.
E aos poucos, uma caminho será formado!"

Que engraçado, mesmo sem querer, algo me dizia o que é viver na alma uma saudade. Esta voz que me soprava as palavras, sabia que não seria fácil e nem simples, porque voar exige conhecimento e experiência.

"A saudade quando quer é má,
faz uma dor pequena
ter o tamanho do mundo!"


Romântica acreditava na pureza das almas, na sinceridade dos gestos, na plena bondade do ser humano como se ele fosse privado de interesse e maldade. E que tantas vezes chorou por uma paixão platônica, não correspondida ou acabada. Que viveu aventuras como se fossem eternas, de modo intenso e importante. Tudo a seu tempo... com maturidade, mas também ilusões e drama. Tipico de uma verdadeira pisciana:

"... nao tenho mistérios nem sombras
suporto somente a agonia de viver sem um amor,
sem a inquietação ansiosa do amor.

"... De tudo que houve, restou uma gota de tristeza
e a enorme saudade dos momentos
que aos poucos deixamos morrer."

Tudo isso me faz lembrar algo...
Uma vez, estava me despedindo dos meus pais no aeroporto, depois de 30 dias no Brasil. Ao me ver partir, meu pai disse à minha mãe que eu sempre fui muito decidida. Fiquei sabendo disso quando já estava na Itália. E por tanto tempo esta frase ficou vagando no ar, tentando encontrar um significado.

"Já não somos mais crianças e sabemos muito bem
a respeito de tudo que fazemos."

Hoje, relendo estas páginas vejo no que me transformei hoje... E não sei dizer se "eu hoje" esteve sempre aqui dentro ou se foram estes 5 anos morando na Itália que o fizeram desabrochar.

Agora, quando olho no espelho, vejo a mim mesma aos 34 anos, alguns traços diferentes e alguns cabelos brancos que antes não existiam. Uma mulher madura e tantas vezes ainda insegura.

Mas em uma coisa nada mudou. E posso dizer que o meu pai tinha razão quando disse aquela frase à minha mãe... Continuo muito decidida e determinada a uma única coisa:


VIVER O QUE A VIDA ME OFERECE E SER FELIZ!


=:=


Um comentário:

Cris disse...

Anne

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Beijos